Sentado numa cadeira,
Imagino paraíso.
Sentado numa cadeira,
Imagino o teu sorriso.
A cadeira desaparece
Para surgir a areia.
A nossa amizade permanece.
És como uma sereia.
Adoras o mar relaxante
Onde não nadas, mas vives.
Detestas o stress sufocante
E todo o ódio que tu sentes.
Adoras o mar pela calma da ondulação.
Adoras o mar pela sua instabilidade.
Detestas a cidade pelo ritmo e poluição.
Detestas a cidade pela sua regularidade.
Discussões, semáforos, buzinas.
Trânsito, desespero, carros a bater.
É um monopólio de rotinas
Que tu não queres viver.
Preferes a calma.
Preferes a brisa pura.
És única e a tua alma
É estranha mas segura.
Não demonstras o que sentes
Mas é extremamente sensível.
A mim nunca me mentes
Mas és muitíssimo imprevisível.
Não é que sejas má,
És apenas diferente,
E sempre que vens cá
Não consigo ficar indiferente.
Adoro-te miúda
Quatro meninos
Que cresceram juntos.
Quatro amigos
Que partilhavam sonhos.
Todos eles brincavam,
Todos eles sorriam.
Todos eles sonhavam,
Todos eles cresciam.
Com o passar do tempo
Todos eles se separaram.
Com o passar do tempo
As suas vidas mudaram.
João, Francisco, Bruno e Miguel.
Os quatro amigos que não tinham ideia,
Que a história acabaria neste papel
Rasgado a voar pela areia.
O Bruno não teve sorte.
A noite em que dormia profundamente
Acabou com a sua morte.
E os três amigos choraram tristemente.
No funeral que se sucedeu
Os três juraram ficar unidos.
Mas isso não aconteceu
E as lágrimas vieram aos olhos dos dois amigos.
O João não foi inteligente.
Meteu-se por caminhos errados.
E lá foram os dois amigos solenemente,
Ao funeral ver o João de olhos fechados
Resta apenas dois corações.
Que se agarraram num abraço sentido.
E os dois juraram perante os caixões,
Que não voltariam a dar um sorriso sofrido.
Nesta última quadra do poema
Deixo um conselho a todos vós.
Não queiram entrar num dilema
Do que podia ter feito, ou ficam sós.
Um dia enquanto na estrada eu flutuava
E as luzes dos candeeiros voavam à minha passagem,
Ouvindo música, o sono eu enganava,
Surgiu então à minha frente uma miragem.
Tudo ficou branco instantaneamente.
A estrada desapareceu e surgiu uma sala.
Numa secretária vi uma luz cujo brilho incandescente
Parecia provir de uma única mala.
Não era uma mala vulgar.
Na realidade era toda a minha vida,
Tudo o que senti, agi, ou pensei até sonhar.
Uma panóplia de palavras pronta a ser lida.
A mala estava aberta,
Com folhas acabadas de imprimir.
Olhei para os cantos da sala deserta,
Tinha a minha vida por descobrir.
Quis testar a veracidade.
O primeiro caderno eu abri,
Ali estava ela, em perfeita legibilidade,
A data em que eu nasci.
Relatava a minha existência,
Todos os problemas por que passei.
A força da sobrevivência
E a forma como os ultrapassei.
Li um novo versículo,
Um em que estava contente
Mas virando esse capitulo,
Mostrava um menino inocente.
Um que não sabia o que a vida custava,
As adversidades que haveriam de surgir,
Mas sempre que as ultrapassava,
Não conseguía parar de sorrir.
A infância complicada por que passei
Sozinho cresci,
Sozinho me trancava,
Sozinho eu vivi,
Sozinho eu rebentava,
Mostrava todos os momentos em que sozinho eu chorei.
Não me queixo porque fui aprendendo,
Aprendendo o quanto a vida é complicada.
Que não podemos ir só dando, mas recebendo,
Os juros desta vida amaldiçoada.
Podem dizer que sou frio,
Podem dizer que não tenho sentimentos,
Podem dizer que não tenho breu,
Mas sou fruto de todos esses momentos.
O último caderno caiu no chão.
Era a data da minha morte,
Não consegui ler, acordei com um apertão,
Deus quis deixar-me à minha sorte.
Tinha tido um acidente,
Ao longe uma médica gritava,
Teria sido eu vidente,
Ou apenas mais um sonho que não interessava?
Numa noite, enquanto dormia,
Sonhava com um belíssimo rio.
Uma folha que pela água corria
E de um pássaro brotou um assobio.
No final a água resvalava numa cascata
Onde caía, transformando-se em espuma.
Ao lado estava uma marta
Envolvida pela cheiro a caruma.
O sol ardente brilhava
Estávamos no pico de Verão.
Nas rochas, uma mulher chorava
Nesse momento despedaçou-me o coração.
Ela olhava para o prado verdejante
Com uma lágrima presa nos olhos.
A sua vida tinha sido humilhante,
Vivia escondida sobre uma capa de folhos.
Tudo caiu numa melancolia existente
Que suava da mulher e se alastrava pela floresta fora
Agravada pelo ar pesado e quente,
Olhem como a mulher chora.
É sempre bom parar e chorar
Olhar para o céu e ver
O azul calmo e gritar,
Soltar a dor e parar de sofrer.
Quando ela olhou para mim,
Acordo deste sonho triste.
Recordei aqueles olhos lacrimejantes de marfim,
É a tristeza a que este mundo assiste.
Sentado em meu trono
Via o esplendor do meu reino sobre a planície.
O início da noite embolia-me em sono,
Mas eu continuava de olhos vidrados sobre a superfície.
As árvores abanavam com o puderio do vento.
A lua despoletava sobre o vasto horizonte.
O orgulho é tão grande que só eu o sinto,
Eis que vejo ao fundo um belo elefante
Grande e robusto, despertou-me a atenção.
Não por ser um perigo mas pelo seu esplendor.
De um cinzento vibrante e uma calma contínua que espalhava emoção
Fez desaparecer o frio e envolveu-me em calor.
É uma analogia ao que realmente sou.
Um rei que transpira confiança.
Um leão que deu tudo e por que o reino se apaixonou,
Um símbolo que inspira esperança.
É verdade que sou grande e poderoso.
É verdade que protejo o meu reino como ninguém.
Mas preciso de amor para deixar de ser raivoso,
E deixar de ser neblina para passar a ser "alguém".
Até que um dia enquanto caçava,
Vi uma leoa que me puxou a atenção.
E nesse mesmo momento senti que a amava,
Parei, admirei, e todo eu era paixão.
Ela olhou-me e virou-se,
Eu seguía-a como um gatinho amedrontado,
Que viu um pássaro e aproximou-se,
Não para matar mas para passar o tempo que estava entediado
Iluminada pela luz branca da lua,
Parou e olhou na minha direcção.
Como uma miragem apresentava-se bela e nua
E eu fitei-a exibindo o meu charme de leão
Abanei a juba para ela ver.
Rebolei na erva seca para a divertir.
Ela avançou para mim a fim de ter
A certeza de que era genuíno o que estava a sentir
Os nossos pescoços se entrelaçaram.
Entre lambidelas no pelo que demonstravam carinho.
Os nossos olhos se cruzaram.
E eu percebi que já não estava sozinho.
Esta é a história de um leão,
Que ao encontrar uma parceira abandonou a dor.
O mesmo se passa com um humana, falcão ou tubarão
Que só consegue alcançar a paz e a calma no amor.
Sentado numa mesa a beber uma cerveja
Estava um poeta de caneta na mão
Lembrado-se dos mestres como Pessoa ou António Vieira, sentiu inveja,
Precisava de uma fonte de inspiração.
Ao fundo viu um cinzeiro grande e belo
Que lhe fez lembrar um sol amarelo ardente,
O calor do deserto queimado-lhe o cabelo.
Não dava, tinha de ser um assunto mais convincente.
Ouviu uma música antiga
Que lhe fez lembrar o tempo em que era novo.
Esquece isso, não se faz um poema de uma cantiga
Que te torne rico e famoso.
Olhou para o balcão e viu um idoso.
Podia fazer um poema sobre o tempo que passou.
Que inovador... Não passaria de um poeta mentiroso
que escreveria sobre um ar que nunca voou.
É então que vê uma mulher,
Alta, bela, de cabelo dourado.
Ia escrever sobre algo que nunca sentiu e que sempre quis ter
Era apenas mais um poema de um homem falhado.
O poeta riu e anotou
As palavras fluíam de caneta com exactidão.
Estava a escrever sobre o tempo que passou
A olhar para objectos em busca de inspiração.
Na penumbra da noite
Irrompida por um raiar de luz luana,
Passo as mãos pela tua pele
Dando voltas tumultuosas na cama.
Os dois juntos como um só
Amava-te a cada segundo,
Como num ar puro sem pó
Uma inspiração que me enchia de amor profundo.
Nunca pensei na sorte que tinha em te ter.
Nunca parei para pensar e temer.
Vivia apenas para ti e para o teu ser,
Precisando de ti para respirar e viver.
Na fugacidade do amor sentido
Eis que surge um revés
Tu deixaste-me para um mundo melhor partindo,
E eu querendo viver esse sonho mais uma vez.
Sete meses se passaram e eu continuo a viver a dor
Que me deixaste involuntariamente com a tua partida,
Relembro todo o poderio do nosso amor,
Mas não me esqueço a hora que me deixaste numa paz sofrida.
A vida andou,
O mundo se moveu,
O vento passou,
Mas fui eu quem te perdeu.
Agora recordo com saudade
Não o amor mas a tua existência,
Sinto falta da vontade
Que se evaporou mas fica a experiência
De um amor sentido outrora,
E escrevendo este poema recordei
Essa fatídica hora.
Estou a ler o livro "Uma Aventura em Viagem" de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Ilustrações de Arlindo Fagundes
Editorial Caminho
Colecção «Uma Aventura», n.º 4
Os livros são essenciais: fazem-nos voar e pensar, fazem-nos crescer até onde quisermos.
Miguel Lima
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